Inspirado pela tonelada de gente dizendo que lê isso, que escreve aquilo, que copia frase mal acabada, decora e diz sua, e outros que apelam pro clichê pra parecer alguma coisa. Faça boa arte, disse Neil Gaiman, mas FAÇA. Não frases isoladas, ARTE.
Uns são meus irmãos.
Outros juram que são.
Uns se dão, se sentem, se viram,
outros apertam a minha mão.
Uns choram, coram e se desforram
Outros clamam atenção.
É interessante como você pode mascarar você mesmo hoje em dia. Você é o que você quiser, e o melhor! Sem precisar ser! É uma barganha, dois pelo preço de um. Você não precisa mais sofrer pra criar, criam pra você, e pra ser também criador, só é necessário copiar e exaltar. Onde está a graça nisso? Meu velho, a graça foi embora. Pra que precisamos de cultura, quando pra se ter cultura já basta dizer que tem? E pra que ler, se podemos dizer que lemos e copiar impressões, e olha só! Sem gastar nenhum vintém!
Uns partilham comigo a dor.
Outros elogiam o seu sabor.
Uns se queimam, se apagam e de novo se vão,
já em outros irradia o calor.
Uns se queixam, se amam e se destroem.
Outros elogiam o seu ardor.
E viva o eu! Viva ser o que eu quiser! Viva a minha caracterização, o meu teatro e a minha luxúria! Porque o que basta é parecer poeta, e não brigar com versos e sílabas e rimas, o que vale é dizer que é, e não se importar com distrações e problemas que te afastem da caneta, o que vale é dizer que sofre, e olha só! Sem soltar nenhuma lamúria!
Uns trilharam a minha jornada.
Outros colocaram o pé na calçada.
Uns vivem em queda, e sobem, e caem de novo.
Outros olham o buraco e esperam a alvorada.
Uns criam, uns pensam, uns sofrem com as suas criações, uns matam parte de si, uns... uns são!
Enquanto, pra outros, o único ser que sobra é ser absolutamente nada.
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