Hey caras, tava dando uma passada pelo site do Gaiman pra manjar mais um pouco da vida pessoal do chapa e panz, e o primeiro post do journal é de uma entrevista que ele fez com o Stephen King.
É pura epicidade a cada linha. Chega a dar gosto de ler. Pra quem manja inglês, segue aqui o link, pra quem não manja, vou dar uma traduzida nas falas do King e uma resumidinha básica.
Recomendo a leitura, é muita coisa bacana que tem aí.
Inclusive a continuação de O Iluminado.
Gaiman - Quando me encontrei com Stephen King dessa vez (já se encontrou outras vezes com o chapa), a imagem que ficou comigo é de como ele é confortável com o que faz. As conversas sobre se aposentar, parar de escrever antes que comece a se repetir, parecem ter acabado. Ele gosta de escrever, gosta mais do que qualquer coisa que faça, e não está inclinado a parar - Exceto talvez sob a mira de uma arma.
King - Se pudesse viver minha vida novamente, faria tudo igual. Até as coisas ruins. Exceto talvez o comercial "você me conhece?" para a TV americana. Depois disso, o país inteiro sabia como eu me parecia.
Gaiman - A primeira vez que me encontrei com King, antes ainda de conhecê-lo em carne e osso, foi na estação East Croyden em 1975. Tinha quatorze anos. Eu peguei um livro com a capa toda preta, chamado 'Salem's Lot (A Hora do Vampiro). Era o segundo romance dele, o primeiro, Carrie (Carrie, a Estranha), um livro pequeno sobre uma garota com poderes telepáticos, eu perdi. Adorei o estilo Dickensiano que King empregou para descrever a cidadezinha americana destruída por um vampiro que a tomou de assalto. Não um vampiro legal, um vampiro de verdade, do tipo Dracula junto com Peyton Place. Depois de ficar acordado até tarde pra terminar o livro, passei a comprar tudo que King lançava. Alguns eram bons, outros ruins, mas não me importava, sempre comprava. confiava nele.
King (Gaiman pergunta se ele se sente frustrado de ter o estereótipo de escritor de horror) - Não, nem um pouco. Eu tenho minha família, eles são ótimos, e temos dinheiro pra comprar coisas. Ontem, tive um encontro com a Fundação King (empresa de King que aplica dinheiro para insituições de caridade), que é regida pela minha cunhada, Stephanie, onde discutimos a melhor maneira de sair dando dinheiro pros outros. Isso é frustrante. Todo ano, nós damos a mesma quantia de dinheiro pra pessoas diferentes... é como um buraco sugador de dinheiro, isso sim é frustrante. (LOL)
Eu nunca pensei em mim mesmo como um escritor de horror. Isso é o que as outras pessoas pensam, e eu nunca disse merda nenhuma sobre isso. Tabby (Tabitha King, romancista, sua esposa) veio do nada, eu vim do nada, e no começo nós estávamos aterrorizados que iam tirar isso da gente. Então, se queriam falar "Você é ISSO", enquanto os livros estivessem vendendo, estava tudo bem. Eu pensava, eu vou fechar a boca e vou escrever o que me der na telha de escrever, coisa que eu sempre fiz.
[...]
Teve uma vez que estava no supermercado, e aí uma senhora se aproximou de mim e disse "Eu conheço você, você é aquele cara que escreve livros de terror. Nunca leio nada de você. Gosto de ler coisas genuínas, como aquele romance The Shawshank Redemption (um Sonho de Liberdade)". Eu olhei pra ela e disse "Eu escrevi esse livro". Ela me olhou de volta, respondeu "Não escreveu não", e foi embora. (LOOOOOL)
King (Depois de perguntado sobre Dr. Sleep, a sequência de The Shining [O Iluminado])
Eu quis escrever esse livro basicamente pelo desafio. Quando as pessoas leram The Shining e ficaram com medo, elas eram crianças. Hoje, quando pegarem a sequência, elas podem pensar "Mas isso não é tão bom". O desafio está aí, fazer algo que SEJA tão bom quanto o original. Eu fiz pelo desafio.
Eu quis escrever Dr. Sleep porque queria saber o que ia acontecer com Danny Torrence quando crescesse. Eu sabia que ele ia ser um bêbado porque o seu pai era um bêbado. [...] Danny seria um tipo de cara que dizia "não vou ser como o meu pai, meu pai abusivo, meu pai bêbado, não vou", então um belo dia, aos quarenta anos, ele acorda e percebe que é um alcólatra. E aí eu pensei, que tipo de vida uma pessoa dessas teria? Ele teria vários trabalhos de salário mínimo, iria preso e acabaria trabalhando como um zelador em um hospício. Eu quero de verdade que ele trabalhe em um hospício, porque ele tem a luz, e pode ajudar as pessoas a atravessar quando morrem. Asa pessoas o chamam de Dr. Sleep, e elas sabem que está na hora de chamá-lo quando o gato entra nos seus quartos e senta na cama.
Gaiman pergunta para King quando é que ele parou de se preocupar com dinheiro.
1985. Foi aí que percebi. Por um bom tempo a Tabby já tinha percebido que dinheiro não era mais problema (era solução?). Eu não tinha percebido. Eu achava que não ia durar, que iam tirar isso tudo de mim, e eu ia voltar a morar com três filhos em uma casa alugada novamente. foi por volta de '85 que percebi que ia durar. Eu relaxei e pensei "Estou bem. Isso é bom (kakash13 mode ON)"
E até isso (ele aponta pra casa com piscina, que era só uma casa de hóspedes, a maior casa de verão, na praia, do outro lado da rua é uma puta mansão) é muito estranho pra mim, mesmo que seja só por três meses no ano. Olha só, eu moro em um dos municípios mais pobres do Maine. A maioria das pessoas que eu vejo e saio cortam madeira pra viver, ou dirigem caminhões de lixo, esse tipo de coisa. Não estou dizendo que eu tenho o toque popular, longe disso, eu só sou um cara comum, e tenho esse talento que eu uso.
Eles me pagam uma quantia absurda de dinheiro por algo que eu faria de graça.
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