Sr. Frangalho é um pequeno auto retrato, como a maioria das coisas que escrevia quando garoto, do que eu achava que era. Gostava de dar muito de mim aos outros, que nem sempre retribuíam. E aí, Geth meu velho, o que sobra quando se empresta um pedaço de si que não volta jamais (como os livros e os DVDs)?
Isso.
Por aí me chamam de Senhor Frangalho
Só um arremedo débil de ser humano
Em mim, tudo o que resta é retalho
Costurados a carne anos após ano
Dor terrível já nem me mete medo,
depois de tantos retoques e reformas
Caem meus restos enquanto gargalho azedo...
E vem a dor e se insinua multiforma
Meu corpo esfrangalhado me é belo
Mas as reformas não agem por dentro
E enquanto a beleza tola minha velo
Minha alma embolorada chora ao vento
Os nacos roubados do meu coração
São revestidos e feitos novos frangalhos
Para dar tez a minha vida cinza
Para dar sentido real, apenas um...
Para a minha liberdade.
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