E qual era a razão do manuscrito com tantas coisas insanas? Como Jaime sabia daquilo tudo?
Confira.
Quando ela vem, as
luzes se apagam. As luzes dos postes se desfocam, piscam algumas vezes, e se
apagam, e quando alguém olha, sem perceber o que está acontecendo de verdade,
ela já está lá, olhando pra você. E você não sabe o que ela quer, mas pelo
olhar, ela sabe exatamente o que veio fazer ali. E assim começam todas as luzes
ao redor a bruxelar também, como se concordando com os postes, e os outros
postes também entram na farra, e logo até mesmo a própria lua está sendo
coberta com nuvens. Tudo isso por um único motivo: Quando ela vem, as luzes se
apagam.
Seu nome é Madame Eva.
Pelo menos é o nome que a chamam por aí, pelos grupos de estudo sobre assuntos
paranormais, por pensadores livres, por esotéricas, hippies e toda gente
estranha do mundo afora. Seu poder todos desconhecem. Sabem por que vem, e
sabem o que acontece quando vem, além das luzes se apagarem. Sabem da sua
predileção, que é tão forte, tão compulsiva, que poderia ser chamada de fome.
Madame Eva não é o tipo de mulher que fala muito, mas mesmo assim seus motivos
são bem óbvios para quem sabe como olhar. Está estampado na sua cara, mas
infelizmente, na maioria das vezes que nos visita, naquelas vezes em que as
luzes se apagam de repente, as pessoas que a veem não são versadas nas artes
ocultas, nos poderes da terra e no que há além. Por isso não entendem o que se
passa, e conversam com Madame Eva como conversariam com um ser humano comum.
Não que exista algum problema nisso, Madame Eva sempre foi simpática com
qualquer um, e talvez é por isso que sempre procura os mais simples de mente,
os não versados, os que não sabem pra onde olhar.
Madame não tem nenhum
outro pré-requisito para aparecer além do citado acima. Não escolhe gênero, não
escolhe classe social, não escolhe idade. Pode aparecer para um mendigo tanto
quanto pode aparecer para um homem podre de rico na sua cobertura. Madame só
está lá quando quer, e quando sabe o que está por vir. Ela tem fome, fome por
sentimentos, coisa intrínseca da sua raça. Sobrevive através de pensamentos, e
para os que conseguem ver, isso estava estampado na sua cara. Madame é o que
chamam por aí de cavadores. Ela era uma cavadora. Para se sustentar, todos da
sua raça precisam de sentimentos, precisam de lembrança, se alimentam disso.
Então Madame sai por aí, em um momento específico, e provoca sensações
diferentes nas pessoas. Normalmente fala sobre as suas vidas, sobre o que
querem ser, o que foram e o que seriam se tivessem feito algumas coisas em
específico. E então, quando a pessoa está no meio da conversa, quando derrama
lágrimas, quando ri ou até quando se apaixona pela mulher misteriosa, ela vai
embora sem aviso. Uma lâmpada pisca e acende novamente, e quando olham, Madame
Eva já não está mais lá. Assim, sem aviso. Por isso a chamam de cavadora,
porque é exatamente isso que ela faz. Quando termina, tudo o que resta da pobre
vítima é uma saudade enorme, como um buraco no coração. Alguns choram, outros
sorriem, outros fecham a cara, mas no fim todos sofrem o mesmo destino.
Você vê, existem
algumas regras ancestrais para os da raça de Eva. Não é qualquer um que pode
ser “cavado” e roubado de suas emoções por ela nem por qualquer outro da sua
estirpe. Há um regulamento bem rígido com relação a isso, e por isso os da sua
espécie são vistos como mau agouro e com desespero pelos que os conhecem.
Madame Eva tem a particularidade e o tato de não revelar nada a suas vítimas,
mas todas terminam da mesma forma. Um dia após o contato, morrem em algum
acidente ou catástrofe.
Link para Download: http://www.filejumbo.com/Download/8FDA8669BDCB9623
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